São Paulo 7 de setembro de 2011,
Autor Marco Antônio Cunha
Veneno
Quando expressa seus desejos o ser humano é pequeno
Em tudo aquilo que ele toca deixa um pouco de veneno
Mata, empalha, enverniza põe no gancho e pendura
E ainda acha que é bonito porque enfeita com moldura.
Aves presas em gaiolas, peixes presos nos aquários.
Pedacinhos do planeta numa espécie de armário.
Veja o céu, olhe pro mar e sinta o cheiro dessa terra.
Animais sofrem e gemem confinados numa guerra
O que não tem serventia o ser humano diz que é lixo
Gente velha é exilada e tratada como bicho
Crianças e adolescentes vivendo de qualquer maneira
Bebezinhos descartados encontrados em lixeiras
Borboletas espetadas coleção de um mundo morto
Tudo que ele acha raro quer guardar pra seu conforto
Compra, vende ou joga fora quer ter mais do que precisa.
Até o próprio corpo humano ele guarda pra pesquisa
Suja a agua a toda hora basta ter uma torneira
Lava as mãos e dá descarga pro descarte da sujeira
Se o planeta e redondo e o universo é infinito
Porque o homem sempre estraga tudo aquilo que é bonito?
